IGREJA  MATRIZ  DE  SÃO  JOSÉ

 

      Localizada na área central de Salesópolis, é a arquitetura mais vultosa que a qualquer ponto da cidade é avistada. Ocupando uma área de 2.125.60m2. (dois mil, cento e vinte e cinco metros e sessenta centímetros quadrados), a Igreja Matriz SÃO JOSÉ DE            SALESÓPOLIS, é o marco principal da religiosidade de nosso povo.

Narrada sua história através dos “Livros de Tombo”, em 13 de Setembro de 1.834, foi criada a primeira “Provisão de Erecção da Capela Curada de SÃO JOSÉ DO PARAYTINGA”, momento em que procederam as delimitações territoriais diocesanas no “Termo de Mogy das Cruzes”.

      Conforme o Livro de Eleitores  e Livro de Sessões da Câmara o Padre Bento Claro que muito trabalhou para a construção da Igreja Matriz foi pároco em Salesópolis de 1869 a 30/09/1896 (data de seu falecimento).

      Na sessão da Câmara de 07/10/1887 foi apresentada pelo vereador Manoel dos Anjos uma Indicação para que fosse nomeada uma pessoa para tomar conta das obras da Igreja Matriz e um engenheiro da província para formar a planta da Igreja.

      Na Sessão de 15/11/1887 foi encarregado o vereador José Alves dos Anjos para procurar um mestre de obras para dar a planta do serviço ou tomar conta da obra da Igreja Matriz.                                                            

      Conforme a ata da Câmara de 23 de dezembro de 1887 foi aberta concorrência para aquisição de material necessário para a construção da Igreja Matriz da Vila.

      Em 1909 veio para nossa cidade como vigário da paróquia o padre João Menendez Gonzáles que, continuou e terminou as obras da Igreja Matriz de São José, na antiga praça Dr.Jorge Tibiriçá.

      Narra o “Livro de Tombo” que muitas dificuldades surgiram, pois foram os próprios fiéis que a construíram. Relata o mesmo livro que, quando chegou um carregamento de tijolos para a construção, o mesmo foi depositado muito distante do local, dificultando o andamento da obra. Diante de tal fato,  após verificar o problema, realizou-se uma procissão em louvor ao Santíssimo Sacramento colocando no itinerário o local onde havia sido depositado o tijolo. Essa procissão foi realizada atraindo inúmeros fiéis vindos de várias partes da região, e, ao passar pela pilhas de tijolos, cada qual empunhava um tijolo, levando-o até à obra, contribuindo, assim, para a construção da “Casa de Deus”.

      Como meio de obter recursos financeiros para a aquisição de materiais a serem utilizados na respectiva construção, foi estabelecido um leilão nas adjacências da obra, local em que os fiéis doavam produtos comercializáveis como bovinos, suínos, muares, ovinos,cereais, sendo o produto dessas vendas revertido para o andamento da obra.

      Criou-se uma tradição, pois esse leilão que era sempre realizado todas as primeiras quintas-feiras de cada mês até hoje perdura.

 

      O padre João Menendez não poupou esforços para arrecadar os recursos financeiros necessários para o término das obras da Igreja.

      Na data de 30 de Outubro de 1.911, foi entregue ao povo a Igreja Matriz de Salesópolis.

      Transferido o padre João Menendez para outra paróquia, depois de outros substitutos, veio para nossa terra o estimado padre Manoel de Azevedo Lima que sempre trabalhou para embelezar o prédio da Igreja, dotando-o de belíssimo altar-mor, bancos, relógio, piso, órgão e revestimento interno.

      Exerceu sua missão em nossa terra, durante mais ou menos 30 anos, aposentando-se em 1 944.Para substituí-lo veio o padre Cantinho de Moura.

      Em março de 1945 veio para esta cidade o Padre Vicente Aguiar.

      Durante sua permanência na cidade na paróquia contratou o famoso artista plástico Antônio Limones e seu filho, o qual, com divina destreza, retratou nas paredes internas da Matriz, a Vida e a Morte de São José, padroeiro do município. Predomina em sua obra o estilo neoclássico.

      Destaca-se também a reprodução fiel da obra de Rafael, intitulada “O Casamento de José e Maria”.  Compondo todo o fundo das paredes internas, os arabescos  e figuras que simbolizam a divindade, tais como, o touro e a águia, complementaram a belíssima decoração.

      Também nessa mesma época foi contratado o exímio escultor italiano Artur Pedrozoli,que destacou em estilo “Barroco” as esculturas do Altar-Mor, portas, janelas, e pilastras.

      Em 1.948, o artista entregou a obra, dando à fachada um “toque artístico”.

      Com a presença do Senhor Bispo Diocesano e demais autoridades eclesiásticas que compunham a sua comitiva foram inauguradas em 28 de Fevereiro de 1.949 as obras de pintura executadas na Igreja Matriz, pelos exímios artistas Srs. Antônio e Miguel Limones (O Salesópolis nº 1 – 1949), em comemoração ao Aniversário de Salesópolis.

      Com o passar dos anos, e em virtude das intempéries, foi necessário, recentemente, recuperar toda obra artística.

Sob o comando do Padre Rômolo Avagliano Rodrigues, foram contratados dois artistas Senhor Sebastião e seu filho Paulo Henrique que recuperaram os arabescos e alguns quadros localizados no teto interior da igreja e, logo em seguida, com a desistência dos mesmos, foi contratado o artista plástico salesopolense, Victor Manoel Wuo que deu continuidade aos trabalhos. Esses trabalhos foram reconstituídos tal qual sua forma original.

      Considerada a Igreja Matriz mais bela da região, figura no cenário religioso como “Santuário”, que poderia ser, atraindo não só os fiéis desta terra, mas muitos de toda região metropolitana, Vale do Paraíba e outras cidades próximas.

Salesópolis orgulha-se de seu povo e da religiosidade expressada na fascinante arquitetura da Igreja Matriz São José e na fé cristã.

 

 IGREJA MATRIZ  - A DECORAÇÃO DO INTERIOR

 

      Todas as explicações das figuras baseiam-se em linguagens enigmáticas, portanto passíveis de inúmeras interpretações.

   

CORO DA IGREJA

 

*DUAS LETRAS AO FUNDO, PRÓXIMO AO TETO.  

 

A-(ALFA E ÔMEGA -  do alfabeto grego)

Na língua portuguesa o alfa corresponde ao A e o ômega ao Z coloca Cristo como o primeiro e o último, o começo e o fim de todas as coisas. Símbolo abrangente de totalidade, de Deus e especialmente de Cristo.

 

Desenho entre Alfa – Omega(suas alianças entrelaçadas)

Significa aliança, matrimônio, casamento, amor da esposa pelo esposo deve ser igual ao amor do Cristo pela sua igreja.

 

Anel- símbolo de eternidade. Simboliza a união, a fertilidade e a participação de uma sociedade.

Colunas- símbolo de união entre o céu e a terra. Pode ser vista como representação feminina, eixo do mundo, na Antiguidade símbolo de vitória. E seus desenhos: ornamento da arte mulçumana-repetição infinitiva do mesmo tema, utilizando uma combinação de linhas e cores.

 

TETO DA IGREJA

 

1º QUADRO – (próximo à porta)- Não tem fundamentação bíblica, é mais uma lenda que simboliza a morte de São José, acompanhado por Cristo e Maria.

2º QUADRO – (do meio)- Mateus cap.2, versículo 13 – 15 – êxodo de Maria, fuga de Jesus para o Egito quando Herodes prometeu matar todas as crianças de Israel a lusão do êxodo do povo Hebreu na época de Moisés de Egito para Israel.

3º QUADRO – (mt –1, 20- 21)- Antes de nascer Jesus, José desconfiado de Maria decidiu abandoná-lo, pois sua gravidez era inexplicável, sendo que eles eram noivos, por isso o anjo do senhor, apareceu em sonho a José alertando-o para que recebesse Maria como sua esposa, pois dela viria o Salvador do mundo.

Biblicamente José é o último patriarca em que Deus se revelava em sonhos, fazendo a alusão a José do Egito, que recebia através de sonhos.(gêneses)

CORDEIRO - símbolo da mansidão, da inocência e da pureza.

-Antiguidade - de animal sacrificial, por isso é símbolo de Cristo e da sua morte;

-Um grupo de cordeiro: representa fiéis ou a igreja dos mártires.

 

*1º QUADRO: à direita cruz e vela e à esquerda cruz, pão e vinho (eucaristia).

*2º QUADRO: à direita o Divino e à esquerda acorrentado segurando a cruz.

*3º QUADRO: à direita a cruz e a água (fonte) e à esquerda cruz, pão e vinho.

 

* À DIREITA OS TRÊS DESENHOS SIMBOLIZAM O SACRAMENTO DO BATISMO.

* À ESQUERDA OS TRÊS DESENHOS SIMBOLIZAM A EUCARISTIA.

Sinais figurativos de João 19, 33-34, quando furarem o lado do peito de Jesus na cruz, saiu sangue e água. Para a igreja neste momento se consagram esses dois grandes sacramentos:

SANGUE: eucarístia.

ÁGUA: batismo, símbolo da força, da purificação e renovação corporal.

 

PARTE DA FRENTE

 

QUADRO MAIOR - oficina de São José, carpinteiro e padroeiro dos trabalhadores.

 

ANJO: Lucas                          LEÃO: Mateus

BOI: Marcos                           ÁGUIA: João

 

HOMEN: representa a natureza humana de Jesus Cristo. Símbolo da humanidade.

LEÃO: representa a voz daquele que grita no deserto. Símbolo da realeza.

BOI: representa o sacrifício de Zacarias no templo. Símbolo de servir.

ÁGUIA: representa a vida voltada para Deus. Está sempre olhando para os céus, à vida eterna. Símbolo da divindade.

 

 

Mateus: púrpura. Símbolo da realeza. Vai fundar o seu Evangelho no passado, nas escrituras.

Marcos: escarlate, a cor do sangue, do sofrimento. Vai fundar o seu Evangelho, no presente.

Lucas: o linho fino, símbolo pitagórico da perfeição. Vai fundar no futuro.

João: o azul, símbolo do céu, da penetração profunda. Na eternidade.

São simbolizados nos quatro símbolos fundamentais da esfinge, pois Mateus é as garras, o fogo, o espírito do discernimento. Marcos a terra, o corpo do boi, ação, expressão da vontade; Lucas, a água, o rosto do homem, o sentimento consciente do que se faz e, João, a águia, as asas, o ar, penetração no ar, no azul, símbolo do pensamento inteligente, silencioso, a contemplação sapiencial, a “Matese”.

Os quatros desenhos simbolizando os evangelistas. São quatro seres da Apocalipse: cap. 4, 6 e 7.

Sua localização na igreja e sua simbologia na liturgia se devem ao escrito de São João, quando descreve um grande louvor ao senhor e assim ocorre na celebração da Santa missa.

 

Originalmente os símbolos dos evangelistas eram vistos relacionados com o Cristo: pelo seu nascimento tornou-se a ser humano, morreu como um touro de sacrifício, ergueu-se do sepulcro como leão e na ascensão elevou-se ao céu como uma águia.

 

BRASÃO SOBRE O QUADRO MAIOR: Brasão do papa XII. Papa na época da pintura da igreja.

 

 


ALTAR DA IGREJA

 

PAREDES LATERAIS

*LADO DIREITO: lírios representam a pureza de São José. (O lírio branco é símbolo da luz. Símbolo da pureza, da inocência e da virgindade). Freqüentemente  é feita a associação do anjo Gabriel e Maria. Na Bíblia fala-se dos lírios do campo, como símbolo da confiante entrega a Deus (3 pétalas).

*CÁLICE SAGRADO: como é um recipiente de bebida que é passado de mão em mão, é símbolo da amizade e da união. Símbolo da presença de Deus.

*CANDELABRO: símbolo da luz e da salvação.

*O PEIXE COM O PÃO: a santa ceia.

O altar da igreja é de estilo Barroco, todo de madeira, o altar é próprio para uma igreja do CORAÇÃO SAGRADO DE JESUS, mas como seu custo foi barato, o padre da época comprou para nossa igreja de São José.

Nele constam as imagens de: Jesus do Sagrado Coração, Maria com o menino Jesus, São José e anjos; e um quadro de baixo-relevo mostra a aparição de Jesus a Santa Margarida.

 

TETO

1º QUADRO: representa a Santíssima Trindade.

2º QUADRO: representa a infância de Jesus.

 

LETRAS NA PARTE DE BAIXO

 

JSTVS: palavra em latim (justus), que no português significa justo.

JOSEHP: nome em latim, que no português significa José.

MT-1,19: principal qualidade de São José, na bíblia, é a de ser um homem justo e bom.

 

LATERAL DIREITA

 

1º BRASÃO NA LATERAL DO CORO: Brasão de D. Francisco Borja de Amaral, último bispo desta paróquia pela Diocese de Taubaté. Em seu brasão está a frase - Glória a Deus e paz aos Homens.

2ºBRASÃO: D. André Arco de Albuquerque Cavalcante, Bispo de Taubaté.

QUADRO DA ANUNCIAÇÃO DE NOSSA SENHORA: Lucas 1,26-38

QUADRO DO CRUZEIRO DO SUL: constelação.

 

LATERAL ESQUERDA

 

1º BRASÃO: D. Epaminondas Nunes de Ávila e Silva - Bispo de Taubaté.

2º BRASÃO: D. Manoel Gonsales – Bispo de São Paulo na época da fundação da paróquia, quando era diocese de São Paulo.

QUADRO DO CASAMENTO DE SÃO JOSÉ COM NOSSA SENHORA: sem fundamentação bíblica. Diz a lenda que o ancião inspirado pelo Espírito Santo pediu aos candidatos ao casamento com Maria, que trouxessem uma vara. No momento do casamento a vara de José floriu lírios, então o ancião viu como um sinal de Deus e escolheu José para casar-se com Maria. Alguns moços ricos ficaram tão raivosos e quebraram suas varas e isso também faz alusão a José do Egito em Gêneses 37,5-8.

QUADRO NO TETO: uma cruz com frase em latim – IN HOC SIGNO VINCES – que no português quer dizer COM ESSE SINAL VENCERÁS. Lembrando o profeta que ao ir profetizar aparece no céu este sinal e uma voz dizendo esta frase.

 

SALA DO LADO ESQUERDO

 

No teto, pescadores resgatando nossa Senhora Aparecida das águas.

Abaixo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e local onde fica o Santíssimo Sacramento.

 

OUTROS

 

TRIGO: simboliza o nascimento e a morte ou também a morte e o renascimento.

GRÃO DE TRIGO: símbolo de Cristo que desce ao mundo dos mortos e ressurge.

ESPIGA DE TRIGO: símbolo de Maria, pois ela contém os grãos dos quais é obtida a farinha para  hóstia.

EUCARISTIA: espiga de milho com o cacho de uva.

CACHO DE UVAS: é um símbolo de promessa. A uva nas mãos de Jesus simboliza a sua morte sacrificial e a última ceia

VIDEIRA: símbolo de plenitude e da vida. Na Grécia Antiga era consagrada a Dionísio. Com referência aos mistérios que celebraram o Deus do êxtase ao mesmo tempo como senhor da morte e da renovação de toda a sua vida, o vinho também era o símbolo do renascimento.

VINHO: alegria e dádivas de Deus.